MEMÓRIAS DA PERSEGUIÇÃO

Durante o século XX o lobo foi alvo de uma intensa perseguição, tendo sido mortos, muito provavelmente, milhares de lobos em todo o país. Foram utilizados diversos meios, como o uso de veneno, a recolha de ninhadas ou o tiro, facilitado pelo uso generalizado de armas de fogo nas comunidades rurais. A morte por tiro poderia resultar de encontros fortuitos, durante a atividade venatória ou agro-pastoril ou, principalmente, durante as montarias ou batidas destinadas a caçar o lobo e que eram amplamente divulgadas e podiam reunir centenas de pessoas, entre batedores e caçadores.

O abate de um lobo era motivo de grande satisfação popular e conferia prestígio, servindo também para se descarregarem medos e ódios dirigidos ao predador. O lobo abatido era muitas vezes exibido publicamente, na aldeia ou nas praças e feiras da cidade mais próxima, para recolha de oferendas monetárias ou alimentares, atraindo a curiosidade das pessoas. 

 

Notícia sobre batida aos lobos em Gavião (1916). Fonte: Ilustração Portugueza 533, 8 de Maio de 1916

A situação mudou no final da década de 1980, com a proteção legal do lobo, mas alguns desses momentos foram registados em fotografia ou vídeo, o que era pouco comum para a época, e por vezes noticiados na imprensa local. Esses registos, além de revelarem uma época em que existia uma forte perseguição ao lobo, constituem um importante património etnográfico e histórico e um testemunho da complexa relação dos humanos com este predador.

No mapa seguinte apresentamos alguns documentos que foram recolhidos pela equipa da Plataforma que atestam a intensa perseguição ao lobo que se verificou ao longo de todo o território Português, desde as serras do Minho até ao Algarve.

Registo fotográficos e documentáis sobre a perseguicao ao lobo

Fotos

António Cabral Fialho (arquivo), Bruno Arrojado, Câmara Municipal de Vieira do Minho (arquivo), Freguesia de Budens, Jerónimo Trigueiros de Aragão (arquivo), Jornal “Defesa de Arouca”, Jorge de Oliveira (arquivo), Francisco Álvares (arquivo), Francisco Álvares/Grupo lobo (arquivo), Miguel Pimenta (arquivo), Miguel Portugal (arquivo), Mila Mena, Parque Natural da Serra da Estrela (arquivo), Paulo Patoleia, Pedro Primavera/Francisco Álvares (arquivo), Zeca Peixe.
WordPress Cookie Notice by Real Cookie Banner