DESCOBRIR OS FOJOS DO LOBO
O património cultural associado ao lobo constitui um importante recurso para o desenvolvimento do turismo “lobeiro”. Atentando especificamente para o património material, existem vários tipos de edificações associadas à atividade pastoril e à proteção do gado que, apesar do seu desuso, têm um grande potencial educativo e recreativo.

A enorme diversidade de currais e de abrigos pastoris presentes em todo o país para confinar o gado e facilitar a sua vigilância pelo pastor (principalmente durante a noite) são um bom exemplo. Porém, pela sua monumentalidade, destacam-se as armadilhas em pedra, genericamente designadas por “fojos do lobo” em Portugal, mas com uma grande variedade de denominações em Espanha.
Com base nas suas características é possível distinguir três tipos principais:
- Fojo simples, que consiste numa cova funda no solo, muitas vezes empedrada, assemelhando-se a um poço para onde o lobo era encaminhado no decorrer de uma montaria ou atraído pela colocação no seu interior de um isco vivo ou morto ;
- Fojo de cabrita, que consiste num recinto cercado por um muro de pedra com uma altura de cerca de dois metros na face interior, mas de fácil acessibilidade desde o exterior, para onde o lobo era atraído por um isco vivo (colocado no seu interior), normalmente uma cabra ou ovelha. O remate do muro é geralmente composto por lajes avançadas para o interior (cápeas) formando um rebordo que impedia o lobo de pular o muro e escapar do recinto;
- Fojo de paredes convergentes, formado por duas longas paredes (que poderiam ter mais de um quilómetro de extensão), que convergem num poço para onde o lobo era acossado durante uma batida que reunia os habitantes de várias aldeias próximas. São conhecidas variantes que consistem em quatro paredes e dois poços finais.
Os fojos do lobo, particularmente os de cabrita e de paredes convergentes, refletem um grau de especialização técnica e operacional na caça ao lobo na Península Ibérica sem paralelo a nível mundial. Atualmente estão inventariados, a nível Ibérico, 150 fojos das várias tipologias. Os locais onde estas estruturas foram construídas coincidem com os principais sistemas montanhosos do norte da Península Ibérica, em particular na região fronteiriça das Serras da Peneda e do Gerês.
Fojos na Peninsula Ibérica Fonte: Torrente et al,. (2014)

– Fojo simples
– Fojo de cabrita
– Fojo de paredes convergentes
Votados ao abandono, a maioria dos fojos, particularmente os de tipologia simples, encontram-se em mau estado de preservação, devido ao seu assoreamento propositado, ao saque de pedras, à abertura de estradas de terras batida (estradões) e a ações de reflorestação. No entanto, existem alguns destes monumentos que têm sido consolidados e recuperados em Portugal, sendo facilmente visitáveis e tornando-se um excelente exemplo da valorização turística do rico património cultural associado ao lobo.